Projeto ´Em Defesa da Rádio Nacional´


No mês de maio de 2002, a FUNJOR recebeu várias comunicações de artistas, ouvintes e funcionários da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Todas solicitando o apoio e apresentando uma preocupação com o futuro da rádio após a publicação de uma entrevista com o presidente da RADIOBRÁS onde várias mudanças eram anunciadas e respaldadas por chamadas na rádio anunciando mudanças, que segundo estas fontes, não foram passadas oficialmente para os funcionários.

A partir daí, a FUNJOR participou da organização de um ato público pacífico e ajudamos a redigir um manifesto em defesa da rádio que é apresentado abaixo.



Houve o ato público de abraço a Rádio, seguido de uma passeata em Trio Elétrico da Praça Mauá até a Cinelândia onde o manifesto foi entregue aos Vereadores do Rio que se colocaram a favor do ato e o manifesto foi publicado no DCM (Diário Oficial da Câmara Municipal do Rio de Janeiro) no dia 31 de maio de 2002.

A seguir, houve a suspensão do programa, ´Alô, Daisy !´, há 31 anos no ar e apresentado pela radialista Daisy Lúcidi. Contatos foram mantidos com a direção da RADIOBRÁS e foi enviada uma comunicação para os funcionários informando que não haveriam demissões e o programa da radialista voltou ao ar.
Após 1 mês, a situação se normalizou e no início de 2003 assumiu uma nova direção.Paulinho Pereira, Luiz Murillo, Ellen de Lima, Márcio Gomes, Ademilde Fonseca, Zora Yonara, Emilinha Borba e Adelaide Chiozzo foram alguns dos Membros FUNJOR presentes na manifestação a favor da Rádio Nacional

Sinceramente, esperamos que mudanças ocorram sempre para melhor, que a história seja preservada, funcionários sejam respeitados nos seus direitos, que os artistas tenham seu espaço aberto sem discriminação por estilo, que haja uma produção de qualidade na cidade, exista condição técnica adequada e aumento no número de ouvintes.


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MANIFESTO EM DEFESA DA RÁDIO NACIONAL DO RIO DE JANEIRO
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Rio, 23, maio, 2002


No dia 07 de maio, foi publicada no Jornal do Brasil do Rio de Janeiro, uma reportagem do jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, onde o novo presidente da RADIOBRÁS, Sr. Carlos Zarur, anunciava seus planos para a Rádio Nacional, que colocaria em prática no dia 1o. de junho. Suas declarações deixaram estarrecidos o meio artístico, os ouvintes e funcionários da rádio, pois a partir daquela data a Radio Nacional se transformaria numa simples RETRANSMISSORA FM DA RÁDIO NACIONAL DE BRASÍLIA e com uma programação declaradamente "elitista".

A programação carioca ficaria compactada aos sábados e domingos. Muitos e-mails e cartas foram enviados para órgãos da imprensa, entidades culturais e poderes públicos, com veementes protestos contra esta noticiada visão administrativa. Causa-nos profunda preocupação a excludente expressão "rádio classe A" e com a nova programação ancorada no "primeiro time da MPB, blues e jazz" para ser ouvido no carro. Será que Emilinha Borba, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Marlene, Agnaldo Timóteo, Ademilde Fonseca, Ataulfo Alves, Nelson Gonçalves, entre outros, que fizeram parte da sua história, figuram no primeiro time da MPB? Qual será o critério de seleção? Quem irá escolher? Haverá espaço para os novos talentos? Os artistas que moram no Rio perderão mais um meio de divulgação de seu trabalho? E a "essência" histórica da Rádio Nacional que sempre foi, nestes 65 anos, caracterizada por uma programação dirigida a todas as camadas sociais, inclusive às populares? E a dona de casa, os porteiros, os jornaleiros, entre outros milhares de ouvintes cujo hábito é escutar a Rádio no seu rádio de pilha?

Outro ponto que nos preocupa, é não termos lido na declaração do presidente da Radiobrás ações para melhoria dos transmissores, que afundam no barro onde estão assentados, em Itaoca. Os novos transmissores comprados para o Rio foram para Brasília e hoje, os ouvintes que antes conseguiam sintonizar a Rádio em qualquer ponto do país e até no exterior, têm dificuldade de sintonia no bairro do Leblon. Como ter ouvintes, se eles não conseguem sintonizar a rádio? E que função terão os 118 funcionários durante a semana?

Entendemos que mudanças são necessárias. Não queremos ver a Rádio Nacional do Rio de Janeiro no estado de abandono em que se encontra atualmente, com equipamentos ultrapassados, sem jornalismo nos finais de semana, discoteca sem renovação, sem internet, estúdio empoeirado e com cadeiras quebradas, dentre diversos outros problemas que nos últimos anos vão destruindo este patrimônio nacional. Propomos a modernização sim, mas com a preservação histórica, através da participação de todos os envolvidos com a Rádio Nacional no seu dia a dia.

Pedimos que a direção da Radiobrás faça uma reavaliação conjunta das ações propostas na reportagem do Caderno B, do Jornal do Brasil. Estamos aqui, unindo forças para divulgar esta situação e solicitar apoio para que artistas, ouvintes e funcionários sejam ouvidos neste processo de mudança da rádio.

No dia 29 de maio, quarta-feira, às 15:00 horas, estaremos reunidos na porta do edifício da Praça Mauá 7, para ABRAÇARMOS A RÁDIO NACIONAL, num ato simbólico de defesa de um patrimônio histórico, cultural e marco inquestionável da história da radiofonia brasileira.

CASA DO COMPOSITOR MUSICAL * FUNJOR - FUNDAÇÃO SÓCIO-CULTURAL JOSÉ RICARDO * SECRETARIA MUNICIPAL DAS CULTURAS * A .B. I - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE IMPRENSA * SINDICATO DOS RADIALISTAS * SATED - SINDICATO DE ATORES E TÉCNICOS EM DIVERSÕES * ASSOCIAÇÃO DAS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA * ASSOCIAÇÕES DE MORADORES * CANTORES POPULARES * ESCOLAS DE SAMBA * RADIALISTAS * MÚSICOS * JORNALISTAS * VEREADORES * DEPUTADOS ESTADUAIS * DEPUTADOS FEDERAIS * PARTE PONDERÁVEL DA MÍDIA * FÃS- CLUBES * FIÉIS OUVINTES DA ANTIGA PRE-8, RÁDIO NACIONAL DO RIO DE JANEIRO


Artistas falaram no Trio Elétriconi

Artistas e popularas na Câmara Municipal do RJ

Manifestantes no abraço a Rádio Nacional



Nossa luta não foi em vão e em 02 de julho de 2004 o Presidente Lula e a Governadora Rosinha Garotinho inauguraram os novos estúdios da Rádio Nacional em solenidade que contou com a presença de vários conselheiros da FUNJOR e do presidente Gerdal dos Santos.