José Ricardo - Solidariedade


São diversos os casos em que o cantor demonstrou sua boa vontade em colaborar com seus colegas. Porém, dentre as muitas pessoas que o coração generoso de José Ricardo ajudou, destacou-se a dedicação com a qual tratou das irmãs Linda, Odete e Dircinha Batista. Nicette Bruno e Cláudia Neto caracterizadas de Dircinha Batista


A intensidade desta relação e a carreira brilhante destas cantoras foi retratada na peça "Somos Irmãs" que teve sua estréia em 1998 no Centro Cultural Banco do Brasil no RJ.

Além de ser personagem, José Ricardo colaborou muito com a produção do espetáculo, que ganhou vários prêmios nacionais.

Na foto, a primeira formação com Claudia Netto (Dircinha
-Primeira Fase), Nicette Bruno (Dircinha), José Ricardo, Suely Franco (Linda) e Claudia Lira (Linda-Primeira Fase) no cenário da peça
.

José Ricardo com o elenco da peça
(Lupe Gigliotti, Nicette Bruno,Claudia Netto,
Beth Goulart, Denise Del Vecchio,
Renato Rabelo e Suely Franco) em São Paulo
no dia do seu aniversário de
60 anos em 06 de março de 1999

- Folheto Promocional produzido pela PHILIPS para as apresentações de SP em 1999

Nossa memória tem registros preciosos sobre determinadas épocas da nossa história pessoal, da nossa cidade, estado e país a partir de músicas que povoaram nossas vidas.Muitas destas canções só se tornaram clássicos graças às interpretações dos cantores e cantoras da era do rádio. Linda e Dircinha Batista são, entre outras, as grandes estrelas desta época em que a imagem não refletida nas telas, nos levava a criar um imaginário que embalava dias e noites passadas diante do rádio, escutando histórias, respostas de cartas e canções que muito provavelmente estão escondidas e ainda vivas em nossa memória e na memória de nossos pais.As irmãs Batista certamente estão presentes em nossa memória. Qual a trajetória real. Qual o destino que tiveram as irmãs Batista. Que destino tantos outros artistas tiveram ?

Histórias que ainda esperam resgate. Linda e Dircinha tem neste momento mágico que vivemos, onde a memória é valorizada e cultuada, sua emocionante história resgatada.Devemos ter por Elas respeito pela contribuição cultural ao nosso país, mas, muito além disso, devemos ser gratos pelas interpretações que elas conferiram a canções maravilhosas, assim como ao cantor José Ricardo que oportunamente resgatou a dignidade de Linda e Dircinha. Um pai de muitos filhos e filhas, filho de muitas e carinhosas mães.A Philips não poderia deixar de apoiar este projeto que resgata e coloca em evidência duas das mais importantes cantoras brasileiras.

LINDA BATISTA

Irmã mais velha da família Batista. Filha de Batista Júnior, ventríloquo que alcançou em sua época fama nacional com seus bonecos "Chorão e Resmungo" com quem se apresentava na Rádio Mayrink Veiga, e sem dúvida alguma, ao lado da esposa Dona Neném (Emília Natalino Grandino de Oliveira), os maiores incentivadores da carreira das irmãs Batista.De temperamento forte, alegre e extrovertida, Linda foi eleita em 1937, pela primeira vez, a "Rainha do Rádio Brasileiro", título que manteve por 11 anos consecutivos, passando a coroa para a própria irmã Dircinha que passou a ser aclamada como a "Nova Rainha do Rádio". Por muito tempo Linda escreveu para o jornal "Ultima Hora" onde contava histórias e dava informações sobre a vida das grandes estrelas do Rádio Brasileiro. Linda também participou de vários filmes, se apresentou na Europa e América Latina, ganhou e gastou muito. Seu temperamento forte reagia às ordens, ao regime, a hipocrisia e a solidão.

DIRCINHA BATISTA

A mais nova das irmãs Batista foi a primeira a ingressar na carreira. Já aos 6 anos se apresentava em festivais. Com 8 anos, levada por Batista Júnior, seu pai, grava seu primeiro disco na Columbia. Dircinha também participou como atriz de vários filmes e foi repórter da Rádio Tupi. Se apresentou com os grandes nomes da época, como Carmem Miranda, Chico Alves, Ary Barroso, entre muitos outros. Uma mulher doce e romântica que gostava de ler, ir a praia e nunca deixava uma carta de fã sem resposta. Não gostava de telefone ou de fazer compras. A arte sempre foi o seu maior objetivo. Com o falecimento de Dona Neném em 1974, Dircinha abandona a carreira. Dircinha ficou conhecida como "A Força Revolucionária da Música Popular Brasileira".

ODETE BATISTA

Embora muito tímida foi estimulada por Linda a ingressar na carreira, chegou a participar do "cast" do programa de Paulo Gracindo. Participou ativamente do programa "Família Real do Samba" na Rádio Tupi, gravou um disco na Argentina e participava ativamente do coro que acompanhava as gravações de suas irmãs. Apesar de talentosa, não obteve o mesmo sucesso das irmãs.

DONA NENÉM

A matriarca da família, Dona Neném, tem sua melhor definição feita em uma crônica de Hermínio Bello de Carvalho, que a compara a uma mãe grega: "Forte, prepotente, trágica, viceralmente mãe, no sentido nelsonrodrigueano da palavra".

BATISTA JÚNIOR

Ventríloquo de fama nacional, e único, em sua época, a conseguir projetar para seus bonecos 22 diferentes tipos de vozes com grande perícia. Ele foi o primeiro a investir e incentivar a carreira das filhas.

JOSÉ RICARDO

Personagem mágico desta história. Ídolo da Jovem Guarda, toma contato com a situação de final de carreira das irmãs Batista, e passa a partir daquele momento, a ser mais que um grande amigo, assume o papel de filho e de pai. Sua atuação em benefício dos artistas não se resume ao resgate apenas das irmãs Batista. Foi um dos maiores defensores da Música Popular Brasileira.


- Nicette Bruno entrevista José Ricardo (JB - 19/julho/1998)


     Foto de Marco Terranova Em janeiro tive um encontro muito importante: fui à clínica Dr. Eiras visitar Dircinha Batista, personagem rico da nossa história musical que tenho o privilégio de interpretar no teatro. Agora tenho o prazer de um novo encontro especial. Desta vez com José Ricardo, um cantor de um potencial vocal extraordinário e de alma linda e transparente.

José Ricardo vem fazendo um trabalho da maior importância social com Dircinha Batista, ainda internada na clínica. Agradeço a oportunidade desta conversa, foi um grande aprendizado. Pude ainda exercer o papel de repórter, o que me entusiasmou demais.

A experiência me envolveu e emocionou. Ao conversar com José Ricardo sobre os anos dourados, os ídolos da era do rádio, o auge e a decadência de nomes como os de Linda, que morreu em 1988, e Dircinha acabamos discorrendo sobre a essência da história de Somos Irmãs, peça em que eu e Sueli Franco interpretamos as irmãs BAtista, em cartaz no Teatro Ginástico.

Esta entrevista é fundamental para o resgate da memória do processo cultural brasileiro. O JB está cumprindo sua parte.


Nicette - Como estamos enfocando um espetáculo do qual fazemos parte, gostaria de começar falando dessas duas figuras exponenciais da nossa cultura musical brasileira que são Dircinha e Linda Batista. Como você viveu a época em que elas brilhavam e eram estrelas absolutas? Conte um como era o universo do cantor brasileiro naquela época.

José Ricardo - A época de Dircinha e Linda foi um momento muito bonito. Era a época do glamour da Rádio Nacional, dos anos 40 até os anos 60. Elas eram adoradas, respeitadas. Tinham prestígio com os políticos. A Dircinha era a estrela da Rádio Tupi e depois foi para a Nacional. A Linda brigou com o diretor da Tupi. Ela tinha um gênio...

Nicette - Existia uma diferença grande de temperamento entre as duas?

José Ricardo - Existia. A Linda era mais extrovertida, brigona, explosiva. A Dircinha era classuda, chegava na rádio e não ficava a gente esperando a vez de cantar. Ficava na sala do diretor. O contra-regra tinha que chamá-la.

Nicette -
Você acha que era uma característica de temperamento ou uma posição determinada pela mãe ou pelo pai?

José Ricardo - A Dircinha começou com oito anos de idade. Era uma criança prodígio. E criança prodígio é meio chata, não vive a infância. Ela sempre foi muito mimada. Não se casou. A grande paixão da vida dela foi o Carlos Frias, e sua mãe não aceitava. A Linda casou.

Nicette - A que você atribui o declínio na vida delas? Foi o surgimento da televisão? Insegurança ou negligência por parte delas? Ou foi o público que não soube prestigiar, através de sua memória, os seus ídolos?

José Ricardo - O público não esquece a gente. Devemos isso tudo ao sistema, que determinou quem deveria e quem não deveria estar no auge. Esqueceram do valor. Foi negado trabalho às irmãs Batista. Elas sempre cantaram. A Dircinha, até cinco anos atrás, tinha a voz perfeita. As pessoas que assumiram posições dentro das gravadoras, das televisões, provocaram as mudanças. Eles escolheram os ídolos. Mas o povo não nos esquecem. Eles sentem falta de nós.

     Foto de Marco TerranovaNicette - Você não acha que audiência das rádios caiu com a chegada da televisão?

José Ricardo - Não, pelo contrário. As rádios continuam tendo uma audiência muito grande. Em 1963, eles inventaram um listão. Eles escolhiam o que iria tocar nas rádios. A dificuldade começou aí. Havia cantores que não tinham prestígio, cantavam bem mas não tocavam nas rádios, porque não estavam no listão. Grandes nomes não tiveram a oportunidade merecida, como foi o caso das Batista. A Dircinha trabalhou como repórter na TV Tupi de 1963 a 1965. Ganhou até o título de melhor repórter.

Nicette - Então, sem querer, estou fazendo um laboratório para o meu personagem.

José Ricardo - Ela entrevistava políticos, pessoas do momento, fazia cobertura de bailes de Carnaval. Na época em que as coisas ficaram difíceis - quando a Dona Neném, mãe delas, ficou doente -, as duas tiveram que trabalhar mais, foi quando faltou. Elas engordaram um pouco e ficou difícil. Porque passou a existir a cobrança de que o artista tinha quer ser igual a um manequim.

Nicette - Mudou o enfoque com a televisão. Através do rádio, você não dependia desse fator de beleza...

José Ricardo - Na época do rádio, você não via o artista e ficava apenas na imaginação. Era muito melhor. O carinho do povo era maior. Os fãs de antigamente eram mais sinceros. Você vê que o público antigo continua fiel àqueles artistas da Nacional, da Tupi. Tenho fãs de 30 anos. Os fãs de hoje não são tão fiéis. Eles gostam de todos ao mesmo tempo.

Nicette - A idade também interfere na divulgação do artista?

José Ricardo - Para mim, não. Mas para eles, sim. Eu sou um garoto de 55 anos. Me sinto com 20. As pessoas que sabem da minha idade, dizem: 'ele já era.' Isso magoa muito. Uma vez, na porta de uma rádio, um diretor de programação, quando viu o disco de um colega meu, disse: 'porque essa gente insiste? Já acabou!' Fiquei chocado e cheguei a chorar. Pessoas que marcaram a vida da música popular brasileira...

Nicette - Como era a sua relação com elas na época e como é hoje com Dircinha?

José Ricardo - A minha relação com elas era só de 'Oi, tudo bem?'. Não freqüentava a casa delas. Respeitava e era fã, principalmente da Dircinha, por causa da voz. A Linda era mais intérprete. A Linda não admitia que ninguém magoasse a irmã. As maiores brigas que Linda comprou foi para defendê-la. Era a Linda quem fazia as compras, pagava as contas, cozinhava. Eu me dava melhor com a Linda porque era mais o meu gênero. Era mais despachada, gostava de dizer bobagens. A Dircinha tinha medo de perder a minha amizade, já que ela não podia mais confiar na Linda, que não conseguia mais se dominar por causa da bebida. Um dia cheguei na casa delas e tinham muitas contas pra pagar. A Sociedade de Cantores e Intérpretes pagou por parte das despesas.

Nicette - Elas tinham 14 automóveis e de repente perderam tudo. Como foi isso?

José Ricardo - Elas gastaram muito com a doença da dona Neném, que teve câncer na garganta. Na mesma época, não conseguiram mais trabalho, e isso foi agravando a situação financeira. Elas tinham imóveis no Flamengo, em Petrópolis, em Teresópolis e tiveram quer vender tudo. A Dircinha tinha um baú cheio de jóias e teve que vendê-las. A Linda também perdeu dinheiro no jogo. Mas os maiores gastos foram com a dona Neném. A Dircinha acabou entrando num processo de auto-destruição. Ela sofria de depressão desde jovem, porque sempre foi muito cobrada.

Nicette - Do que você sente mais falta naqueles anos dourados?

José Ricardo - Não sou uma pessoa saudosista, mas sinto saudade daqueles tempos. Eu tinha um programa na rádio. Quando chegava no auditório a turma vibrava, gritava. Isso me dava uma energia muito grande. E tinha atrás uma orquestra fantástica com 50, 60 figuras. Eram dirigidas por maestros como Radmés Gnatalli, Guerra Peixe, Chiquinho, que era o maior amigo dos artistas. Isso não existe mais. Hoje o artista chega num programa de televisão e faz dublagem. Ninguém mais canta.

Nicette - Já que estamos falando em emoção, o que você sente quando assiste à peça Somos irmãs?

José Ricardo - Ah, pelo amor de Deus. Já assisti umas 500 vezes. Mas todo dia é uma emoção diferente. Sinto na Sueli Franco a Linda Batista e em você a Dircinha. E tudo é muito presente em mim.

Nicette - Como ela está hoje?

José Ricardo - Ela teve alguns problemas, mas está bem. Ela tem um plano de saúde que eu fiz pra ela, uma enfermeira particular. Não lhe falta nada. Dircinha teve um acidente vascular, está numa cadeira de rodas, mas lembra de tudo. Quando soube da peça ficou apaixonada. Quando te levei para vê-la, ela me mostrou seus olhos e disse: 'ela tem o meu melhor olhar.' Eu disse para ela que consegui trazê-la de volta para a mídia. Ela ficou muito feliz.

Nicette - Fiz questão de perguntar isso pra você porque sou testemunha da forma como ela está sendo tratada. Vi que ela está recebendo carinho. Você é o filho que ela não teve.

José Ricardo - Nos aniversários e no Natal faço festa pra ela. Teve um ano que levei uma câmera pra filmar. Disse que ela era a mãe que eu perdi e ela me respondeu que eu era o filho que ela não teve. Isso falou muito fundo dentro de mim.

Nicette - Você não tem ajuda para cuidar dela?

José Ricardo - Fui auxiliado no início pela Hebe Camargo e pelo J. Silvestre, que ajudaram a vender alguns discos delas. Rendeu R$ 25 mil. A Cidinha Campos e o Milton Gonçalves também ajudaram. Mas a Linda acabou com o dinheiro. Resolveu reformar a casa e deu o dinheiro para o pedreiro, que levou a grana e deixou a casa toda quebrada. Eu que tive que acabar a obra. Agora, consegui uma pensão junto ao governo do estado. O que falta, eu completo. Como numa cena que aparece na peça, foi oferecido um cheque para se fazer um programa sobre as irmãs Batista. Queriam que eu mostrasse a Dircinha. Tentaram me subornar, mas não aceitei. A Dircinha não quer aparecer. Ela diz que agora não interessa mais. Quando ela quis não a quiseram.

     Foto de Marco TerranovaNicette - Quando a Dircinha morrer, você vai permitir que se faça um especial sobre as irmãs? Não.

José Ricardo -
Não vai ter.

Nicette - Qual o saldo que você tira da vida das duas? Elas foram felizes ou infelizes?

José Ricardo - Foi uma vida sem equilíbrio. Mas elas tiveram momentos de felicidade quando estavam com quem amavam.

Nicette - Uma das experiências mais diferenciadas do meu momento profissional é vivenciar um personagem vivo. Tive a oportunidade de conhecer a Dircinha. Quando estive com ela identifiquei uma série de reações que já havia experimentado no palco. Isso foi extraordinário. E você, Zé? O que a história das duas irmãs acrescentou à sua vida?

José Ricardo - Aprendi que a vida não é só o que a gente vê. Que tem o lado bom e o lado ruim. O convívio com elas me ensinou a querer melhor às pessoas, a pensar muito antes de falar, a ter mais paciência, ser mais compreensivo. Isso me deu força para superar os meus problemas. Que temos obrigação de ajudar ao próximo. Mesmo que não haja dinheiro, com uma palavra de carinho e afeto.

Nicette - O que você está fazendo agora?

José Ricardo - Foram relançados grandes sucessos meus. Tem ainda algumas músicas novas. O lançamento foi feito por uma gravadora de Curitiba. O nome do disco é José Ricardo cantando ´Serenata Suburbana´. E já está à venda.

Nicette - E televisão?

José Ricardo - Infelizmente, quase não me chamam. Não sei por que. Deve ser porque estou gordinho. Hebe Camargo, Ana Maria Braga, Faustão, vamos ver se lembram da gente, né?


Convite de estréia da Peça "Somos Irmãs"


- Ficha Técnica estréia no Teatro Ginástico - RJ em 26 de junho de 1998

Produção: Cinthya Graber e José Carlos Furtado Filho
Texto: Sandra Louzada
Direção: Cininha de Paula e Ney Matogrosso

Assistente Direção: Marco Rodrigo
Elenco: Nicette Bruno, Suely Franco, Claudia Netto, Claudia Lira, Izabella Bicalho,
Renato Rabelo, Garcia Júnior, Cecília Rondinelli, Marllos Fragã, Paulo Mazzoni
Atriz Convidada: Rosane Gofman
Cenário: Hélio Eichbauer
Figurino: Claudio Tovar
Direção Musical: Leandro Braga
Coreografia: Renato Vieira
Iluminação: Ney Matogrosso e Enor Fonseca
Contra-regra: Quequé Peixoto


- Ficha Técnica estréia no Teatro Cultura Artística (sala Esther Mesquita) - SP

Produção: Cinthia Graber e José Carlos Furtado Filho
Texto: Sandra Louzada
Direção: Ney Matogrosso e Cininha de Paula
Elenco:
Nicette Bruno, Suely Franco, Claudia Netto, Beth Goulart,
Marya Bravo, Renato Rabelo, Garcia Jr., Cecília Rondinelli, Marllos Fragã e Orlando Leal
Atriz convidada: Denise Del Vecchio
Cenário: Hélio Eichbauer
Direção musical: Leandro Braga
Figurinos: Cláudio Tovar
Coreografias: Renato Vieira
Iluminação: Ney Matogrosso e Enor Fonseca
Contra-regra: Quequé Peixoto